terça-feira, 19 de abril de 2011

Alfabeto Móvel

Os cursistas estão montando um "kit do alfabetizador" com vários materiais de apoio a prática de alfabetização e letramento. O primeiro item do kit é o alfabeto móvel. 







segunda-feira, 11 de abril de 2011

LER QUANDO NÃO SE SABE


Todos os anos chegam à escola pública umas poucas crianças que já sabem ler, mas a maioria ainda vai aprender. E muitas pessoas se perguntam: Como será que algumas crianças se tornam leitoras antes de estudar as lições da cartilha? Será que são mais inteligentes?
Por outro lado, muitos também refletem: Por que algumas crianças levam dois, três, quatro anos, ou até uma vida (no caso dos adultos analfabetos) para aprender a ler? Com certeza, na maioria dos casos não se trata de um distúrbio, pois um dia eles aprendem – sabemos disso.

Conversando com os pais, e até mesmo com essas crianças leitoras, descobrimos coisas interessantes. Eles dizem, por exemplo:
• Aqui em casa lemos a Bíblia todos os dias; meu filho sempre pergunta onde está escrito o que escuta a gente ler.
• Gosto de ler histórias para ele e apontar onde estou lendo.
• Acho bom as crianças saberem o que está escrito nas embalagens e, por isso, leio sempre para minha filha, que me enche de perguntas.
• Ganho gibis velhos da minha patroa e dou para a minha filha brincar de ler.

É fascinante ouvir os pais contarem essas histórias e tantas outras, observar o interesse das crianças pela palavra escrita e, mais bonito ainda, ver como esses pais, sem perceber, estão o tempo todo ensinando aos filhos a respeito da leitura.
Nessas situações, os adultos são verdadeiros parceiros, são informantes; usam textos reais, tratam os pequenos como leitores, acreditam que é lendo que se aprende a ler – ainda que nem sempre tenham consciência disso. Para eles, compreender e decifrar o texto são coisas que caminham juntas.
Poderíamos dizer que essa é uma situação privilegiada: pais que dão a seus filhos informações a respeito da escrita. E o que acontece quando os pais são analfabetos? As crianças não aprendem só com adultos, mas também com outras crianças que já sabem ler. Quantas vezes não ouvimos os pais dizerem: O mais velho estava estudando e ele ficava observando; aprendeu praticamente sozinho. E há também o caso das classes multisseriadas, em que alunos com nível de conhecimento bem diferenciado aprendem muito uns com os outros.

Hoje sabemos que, para adquirir conhecimentos, não basta ouvir. Na verdade, as crianças interpretam o que ouvem, pensam e refletem a partir do que já conhecem. Desde muito pequenas, elas podem e devem conhecer os diferentes materiais de leitura, saber para que servem e tentar descobrir o que está escrito.
É por isso que o trabalho com a linguagem escrita é de extrema importância na Educação Infantil. Não se trata de preparar as crianças para a 1a série, mas sim de oferecer-lhes a leitura e a escrita. As crianças pequenas sempre podem e querem aprender muito.

Mas, o que fazer quando não há adultos informantes, nem irmãos que possam ajudar, nem classes multisseriadas? Nesses casos, o papel de ensinar a ler e escrever cabe somente à escola, mais especificamente ao professor.

Ao iniciar o ano, é fundamental fazer uma sondagem, um diagnóstico dos conhecimentos dos alunos. É indispensável entender como eles elaboram hipóteses a respeito da escrita e da leitura, para organizar um trabalho que lhes coloque bons desafios.
Dez questões a considerar
O planejamento de situações de leitura para alunos que estão se alfabetizando deve considerar as seguintes questões:
1. É possível ler, quando ainda não se sabe ler convencionalmente.
2. Ler (diferentes textos, em distintas circunstâncias de comunicação) é um bom problema a ser resolvido.
3. Quando o aluno ainda não sabe decodificar completamente o texto impresso e precisa descobrir o que está escrito, sua tendência é buscar adivinhar o que não consegue decifrar, recorrendo ao contexto no qual os escritos estão inseridos, bem como às letras iniciais, finais ou intermediárias das palavras.
4. Os alunos devem ser tratados como leitores plenos: é preciso evitar colocá-los em posição de decifradores, ou de ‘sonorizadores’ de textos.
5. É fundamental planejar, desde o início do processo de aprendizagem da leitura, atividades que tenham a maior similaridade possível com as práticas sociais de leitura.
6. Deve-se dar oportunidade às crianças de interagir com uma grande variedade de textos impressos, de escritos sociais.
7. Apresentar os textos no contexto em que eles efetivamente aparecem favorece a coordenação necessária, em todo ato de leitura, entre a escrita e o contexto.
8. É preciso propor atividades ao mesmo tempo possíveis e difíceis, que permitam refletir sobre a escrita convencional: atividades em que osalunos ponham em jogo o que sabem, para aprender o que ainda não sabem.
9. É importante não trabalhar com as palavras isoladamente, mas como meio para que o aluno, com sua atenção focalizada em uma unidade pequena do texto, possa refletir sobre as características da escrita.
10. Deve-se favorecer a cooperação entre os alunos, de tal modo que eles possam socializar as informações que já têm, confrontar e pôr à prova suas diferentes estratégias de leitura.

Na sala de aula, devemos oferecer aos alunos muitas oportunidades de aprender a ler, adotando procedimentos utilizados pelos bons leitores.
É necessário selecionar com cuidado os textos; garantir às crianças a oportunidade de observar como os já leitores utilizam os materiais de leitura; e organizar situações em que elas participem de atos de leitura.
É preciso também planejar atividades de leitura que contribuam para a compreensão do sistema de escrita e favoreçam a análise e a reflexão acerca da correspondência fonográfica própria de nosso sistema de escrita. Esse tipo de atividade exige uma análise quantitativa e qualitativa da correspondência entre os segmentos falados e os escritos. São situações em que o aluno deve ler, embora ainda não saiba ler. Vejamos alguns exemplos (apud Actualización Curricular (EGB) Primer Ciclo. Secretaria de Educación, Dirección de Curriculum. Municipalidad de la Ciudad de Buenos Aires, 1995).
1. Garantir um espaço para trabalhar com textos conhecidos pelos alunos aproveitando situações em que seja significativo ler e reler o que já conhecem de memória. Experimente, por exemplo, ensaiar uma música que todos vão cantar juntos, acompanhando com a leitura no texto impresso – ou um poema, ou uma adivinhação, que se vá gravar em fita cassete. Essas atividades tornam possível acompanhar no texto o que vai sendo dito e ajudam a pensar na correspondência entre ‘o que se diz’ e ‘o que está escrito’.
2. Quando se trata de textos desconhecidos, lançar mão de diferentes situações que requerem uma leitura exploratória, destinada a localizar determinadas informações (em vez de propor a leitura exaustiva de tudo que está escrito):
• localizar onde está dito – por exemplo, achar no jornal em qual emissora de tevê e em que horário é transmitido determinado programa de interesse;
• determinar se o texto diz ou não diz algo – por exemplo, ver se no cardápio do dia consta ou não consta determinada comida;

• identificar qual é a correta, entre várias possibilidades antecipáveis: qual das fichas da biblioteca corresponde ao conto de Branca de Neve, qual ao da Gata Borralheira…
3. Criar contextos que permitam aprofundar o trabalho sobre o texto, como por exemplo:
• ler um trecho e pedir para os alunos formularem suposições sobre seu significado e, depois, confrontarem com os indicadores que o texto oferece;
• propor várias alternativas possíveis de interpretação, para que os alunos decidam qual delas aparece efetivamente no texto.
As crianças podem aprender muito sobre a escrita, tanto dentro quanto fora da escola mas, para isso, a condição é acreditar que todas podem aprender e valorizar o que já sabem – em vez de enfatizar, o tempo todo, aquilo que ainda não aprenderam. O desafio pedagógico, como sempre, está na articulação entre o difícil e o possível de ser realizado pelos alunos.

TEXTO: Rosa Maria Antunes de Barros 

Fonte: Parâmetros em Ação – Alfabetização, Texto 12. Brasília: MEC / SEF, 1999. (pp. 70 a 73).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Como fui alfabetizada

            Quando fiz formação continuada também tive que escrever minhas memórias sobre alfabetização e meu texto ficou assim:   "As memórias de uma lagarta".


            

“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha 
opinião formada sobre tudo."

 Raul Seixas












* Não esqueçam de enviar as memórias de alfabetização até 08/04/2011 para o e-mail: alineproletramento@mesquita.rj.gov.br

Arquivos para baixar


         Estou disponibilizando neste link vários arquivos referentes aos nossos encontros. Textos literários, pedagógicos, atividades realizadas, sugestões e muito mais. Confira no link.
        

Leitura Literária

         Dona Sofia é uma senhora muito especial e simpática. Professora aposentada, mora sozinha e adora ler, especialmente poesia. Tanto que decorou todas as paredes de sua casa com os poemas de que mais gosta, para que não ficassem escondidos nos livros e ela pudesse relê-los a qualquer momento. Quando não havia mais espaço nas paredes, resolveu fazer cartões poéticos que seu amigo, o carteiro Ananias, passou a distribuir entre os moradores da cidade. Aos poucos, a poesia vai tomando conta da vida de todos, descortinando um mundo secreto, repleto de sabedoria, luz e sensibilidade. O livro, como as paredes da casa de Dona Sofia, também é todo 'ilustrado' com muitos poemas de diversos autores, despertando no leitor o desejo de conhecer mais esse universo tão rico de imagens e sonoridades. Um trabalho artístico delicado, que convida a ler e reler, inúmeras vezes, sempre descobrindo novos detalhes. 

"Na mais alta colina entre as colinas que guardam a cidade, existe uma casa diferente de todas as outras, com paredes decoradas com poemas. Não haveria quem não pudesse dizer que ali as paredes recitavam, cada canto vivo cuidado com emoção e a caligrafia em estilo que só Dona Sofia sabia... Mas, anos sempre em marcha, a velha percebeu que ficaria sem espaço para escrever os versos que tanto amava.
Com letra de caprichosa moça, a professora aposentada decidiu-se pelos cartões poéticos — prensando flores sobre o papel, colhendo palavras com sua florida caligrafia — endereçando-os a todos os moradores da pequena cidade... Eis então que a ajuda de Seu Ananias seria de grande valia e entra, em cena, o protaganista desta renda palavra&imagem que André Neves teceu: a história do carteiro e da amorosa leitora de poetas. E um dia chega e ele próprio recebe um cartão..."
NEVES, André. A caligrafia de Dona Sofia. Editora Paulinas, 2006.

Avaliação Diagnóstica

           Nos últimos encontros temos discutido a questão da observação das escritas dos nossos alunos para uma análise que oriente o planejamento de atividades que os façam aprender e avançar nos conhecimentos da língua escrita.
           Fizemos a leitura do texto " Como se aprende a ler e escrever ou, prontidão, um problema mal colocado" da Telma Weisz. 
           Realizamos  o diagnóstico coletivo da sondagem escrita realizada com alunos do primeiro ano.
            Assistimos vídeos do Profa e também vimos a sondagem realizada pela professora Luzia Helena da E. M. Vereador Américo dos Santos no início de março com seus alunos do primeiro ano.




Combinado da semana: Cada cursista irá fazer a sondagem com os seus alunos e completar sua tabela de acompanhamento e relatório da atividade (entrega até dia 16/04). Palavras da lista de materiais escolares (para sondagem): apontador, caderno, lápis, giz.